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Meninas da luta olímpica fazem bonito nos Jogos Escolares da Juventude

Quem diz que menina não sabe lutar com certeza não conhece Geovania Marques, de 15 anos, e Ana Luiza França, de 17 anos. As estudantes do Centro de Ensino Fundamental 02 do Paranoá conquistaram medalha de prata nos Jogos Escolares da Juventude e agora sonham com vitórias internacionais.

No pódio pela segunda vez consecutiva, Ana já é considerada uma veterana entre as alunas do projeto Luta pela Cidadania, presente em seis escolas da rede pública. Com a voz calma, ela mostra mais de vinte medalhas conquistadas nos quatro últimos anos.

Mas nem sempre ela foi tranquila assim. “Fui expulsa de duas escolas porque brigava na rua. Conheci o professor Neto (que dá aulas de luta olímpica) em uma das várias vezes que eu estava na direção”, relembra rindo a jovem.

Foi o professor e técnico que viu potencial na adolescente e insistiu para que ela participasse dos treinos. “No começo eu não queria. Não gostava de lutar, só de briga mesmo”. Mas depois da primeira medalha, a opinião mudou. “Senti algo que nunca senti antes. Sempre fui sozinha, mas na luta tenho uma família”, afirma Ana.

De lá para cá, o foco na modalidade a transformou em uma promissora atleta. “Hoje em dia falo diferente, tenho outros amigos, me comporto melhor. Percebi que minha conduta deve ser exemplar para me manter no esporte”, diz com um sorriso no rosto.

Para o treinador, José Neto, é uma questão de tempo para que a jovem conquiste o mundo. “Agora é levá-la para competições internacionais. Quero que o nível dela seja o mais alto e acredito que até 2024 ela e a Geovania possam estar em uma Olimpíada”, defende com orgulho.

Multi atleta

Mais jovem e muito mais elétrica, Geovania começou a praticar a modalidade sem nem saber ao certo do que se tratava. “Vi aquele tapete bonito e quis fazer aula. Antes praticava outros esportes, como futebol e capoeira”, conta a pequena atleta.

Em sua primeira competição local, em 2014, a lutadora já conquistou o ouro e ganhou mais motivação para seguir os treinos. No ano seguinte, ela ficou em 5º lugar nos Jogos Escolares da Juventude, realizado em Fortaleza. E neste ano, pela primeira vez na categoria de 15 a 17 anos, ganhou a prata nos pesos levez. “Dá para ver um brilho no olhar delas (Ana e Geovania) típico de campeãs”, sugere o técnico.

Para vencer as adversárias, a rotina é dura. “Vou para a aula de manhã, faço academia à tarde e treino à noite. Inclusive nos sábados” relata Geovania. Mas nem titubeia se o esforço é válido. “Vale muito a pena!”.

As medalhas de Ana e Geovania foram as únicas da rede pública do DF nos Jogos Escolares, realizados em Brasília entre os dias 14 e 25 de novembro. No total, a delegação do DF conquistou 16 pódios na competição que reuniu mais de 4 mil estudantes entre 15 e 17 anos do país inteiro.

Visionário

Além da dedicação e do talento, as duas atletas tem em comum também a visão do treinador José Neto, que apostou na modalidade, pouco conhecida entre os brasileiros.

Ainda jovem, Neto, como é conhecido pelos alunos, deixou os treinos de judô e jiu-jitsu, pegou uma mochila e seguiu rumo ao leste europeu em busca de um sonho. “Assisti àquela luta uma vez e fiquei encantado. Quis aprender com os melhores do mundo”, conta. Após dois anos e meio de aprendizado, ele retornou ao Brasil, onde chegou a fazer parte da seleção nacional da modalidade.

Ao se retirar das competições, Neto começou a se dedicar a formar professores do esporte e treinar atletas de outras modalidade, como o MMA. Mas não era o que ele queria. “Meu sonho era treinar equipes de luta olímpica para competições específicas”.

Em 2012, para felicidade do professor, a modalidade, pilar das Olimpíadas, foi incluída nos Jogos Escolares. A inclusão deu força ao projeto do profissional “Luta pela Cidadania” e conquistou espaços dentro de escolas da rede pública.

Atualmente, as aulas de luta olímpica fazem parte da grade horária de colégios no Paranoá, Asa Norte e Itapoã. Neto é responsável por identificar possíveis atletas e treinar a seleção local.

E mesmo com as diversas conquistas, ele acredita que é só o começo. “Quero levar esses jovens para fora do país, para os berços da modalidade. Não se espante se daqui uma ou duas Olimpíadas um de nosso atletas esteja no pódio”.

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