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Médicos de família: especialistas em cuidar de pessoas

Para este profissional, mais importante do que a queixa do paciente é o próprio paciente

Ailane Silva e Alline Martins, da Agência Saúde

Para eles, não basta saber o que um paciente está sentindo naquele momento. É preciso conhecer mais: saber onde mora, entender o contexto familiar, as condições de trabalho. Tudo porque, enquanto médicos de família, são especialistas em cuidar de pessoas, ao longo da vida, independentemente de sexo, gênero ou idade, levando sempre em consideração o ambiente em que vivem.

Base da pirâmide na atuação de Estratégia Saúde da Família, novo modelo adotado pela Secretaria de Saúde para atendimento em atenção básica, os médicos de família estão aptos a resolver 85% das queixas de saúde de qualquer pessoa.

Atualmente, a rede pública do DF conta com 377 profissionais atuando como médicos de família. Nem todos, porém, possuem especialização na área. “Até pouco tempo não havia exigência de especialidade, devido à baixa quantidade de profissionais especialistas, o que impossibilitaria o acompanhamento de toda a população.

Diante da nova realidade, a Secretaria de Saúde passará a investir mais, tanto na capacitação de profissionais contratados como médico de família mas que não possuem especialização quanto na formação de novos profissionais, por meio da Escola Superior de Ciências em Saúde e realização de concursos para contratar especialistas.

“Até dois anos atrás, formávamos quatro médicos de família e agora temos cerca de 40 vagas por ano para a residência na área”, destaca Seabra. Ele diz, ainda, que a partir do ano que vem, a pasta terá um programa de capacitação permanente para os servidores da secretaria que atuam nas equipes de estratégia de saúde da família.

A pediatra Adriana Serra é um dos profissionais da rede que tem passado por essa capacitação. Ela foi um dos 116 médicos que fizeram a prova de conhecimento específico prevista no processo de mudança do modelo de atenção primária. Todos eles passaram por capacitação teórico-prática para que possam integrar as equipes de transição de Estratégia Saúde da Família.

“Pelo gabarito, acredito que passei e assim continuarei em equipes de estratégia de saúde da família. A capacitação realmente precisa ser constante. Até porque, medicina de família a gente acaba fazendo no dia a dia, quando orientamos familiares e amigos. No mais, vamos trocando experiências também com os colegas da área”, destaca.

Assim como Adriana, aproximadamente 100 médicos de família e comunidade devem atingir nota satisfatória na prova e deixarão de ser parte de equipe de saúde da família em transição para tornarem-se, de fato, equipes constituídas, como médicos de família.

CONFIANÇA – Para quem está acostumado com o modelo tradicional de atendimento, onde pediatras atendem crianças, ginecologistas cuidam da saúde da mulher e acompanham gestantes e o clínico a saúde do adulto, se deparar com um único médico que atenda todos esses públicos pode gerar certa insegurança.

Mas esse sentimento deixa de existir logo na primeira consulta. “Quando o paciente chega, percebe que a consulta mudou, que agora temos escuta qualificada, já gera confiança”, conta o médico de família da Unidade Básica de Saúde 1 do Lago Norte, Gustavo Carvalho Diniz. Ele tem formação como clínico geral e atendeu, por 10 anos, no mesmo local como tal. Somente há cerca de três meses passou a trabalhar com a nova dinâmica de medicina da família.

“Eu atendia somente pacientes adultos e apesar de conhecer cada um deles, não era como passou a ser desde a conversão. Hoje conheço o contexto familiar e atendo grávidas, mulheres, homens, crianças. O que às vezes pode gerar alguma dúvida, recorro a outros colegas e a gente presta o atendimento integral ao paciente”, conta.

Dentro desse novo perfil de atendimento, está a pequena Clarissa, nascida há três meses. “O Dr. Gustavo é ótimo!”, já soltou logo a mãe da pequena, a estudante de jornalismo Laís Holanda, ao ser perguntada se não sentia insegurança por não ver a filha sendo atendida por um pediatra. “Não vejo diferença, ele sempre tira as minhas dúvidas, que são muitas”, disse.

SEM FILAS – Além dessa consulta mais próxima do paciente e de toda a família, o médico Gustavo ressalta que o novo modelo de atenção primária acabou com um problema que existia na unidade. “Antigamente, as pessoas que queriam uma consulta vinham para cá de madrugada e a gente, enquanto profissional, fazia uma classificação informal, para determinar quem seria atendido. Com a mudança, conseguimos atender a população de forma organizada, com classificação de risco, com consultas agendadas e também por demanda espontânea”, conta.

A unidade atendeu, em outubro, cerca de 640 pacientes em consultas marcadas e mais aproximadamente 30 pessoas por demanda espontânea diariamente. Com três equipes de saúde da família em processo de transição, a unidade subiu de 0% de cobertura para 29%, numa população de 38.640 pessoas, moradoras do Lago Norte e da área rural adjacente.

DIA DELES – Nessa terça-feira (5), comemora-se o Dia do Médico de Família e Comunidade. Em todo o país, há pouco mais de três mil profissionais desta especialidade. Eles atuam próximo aos pacientes antes mesmo do surgimento de uma doença, por isso, realizam diagnósticos precoces e os protegem de intervenções excessivas ou desnecessárias.

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